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Um filme poético documentário para TV A escritora Clarice Lispector entrevistou nos anos 60 e 70 dezenas de personalidades para a Revista Manchete e para o Jornal do Brasil, reunidas hoje na edição do livro Entrevistas, lançado em maio de 2007 pela editora Rocco, que reúne conversas de vida com 25 personalidades como Ferreira Gullar, Tônia Carrero, Maria Bonomi, Nélida Pinõn e os falecidos Érico Veríssimo, Fernando Sabino, Helio Pellegrino, Tom Jobim entre outros.
O filme O filme De Corpo Inteiro Entrevistas, direção de Nicole Algranti, será lançado no Brasil e no mundo no mercado de DVD's.
Um Resgate O projeto pretende resgatar de maneira sedutora a memória das 14 entrevistas dadas à Clarice e fazer um painel atualizado das histórias de vida de cada um. Tudo isso recheado com a qualidade técnica e artística que o projeto impõem, com legendas em inglês e francês.
Justificativa Nos últimos anos a obra da escritora Clarice Lispector tem alcançado uma aproximação cada vez maior com o público. Desde as homenagens feitas em 2005 pela Bienal de Literatura e pela 3º Festa Literária Internacional de Parati, como pela encenação da única peça escrita pela autora A Pecadora Queimada e os Anjos Harmoniosos. Em 2006 a Rocco lançou o livro Correio Feminino, que aproveita todos os artigos publicados em sua atuação na imprensa feminina na coluna de Ilka Soares. E lançou em 2007 o livro, com título provisório Entrevistas, aproveitando em sua maioria as feitas pela autora ao longo dos anos 60 e 70 com inúmeras personalidades inspiração para este filme que reviverá o momento dos encontros entre Clarice Lispector e pessoas como Nélida Piñon, Bibi Ferreira, Lygia Fagundes Telles, Elis Regina, Ferreira Gullar entre tantos outros. Interessante notar no livro, base para o roteiro deste filme, como Clarice era detalhista e prática em suas entrevistas, falava muito de sí própria e perguntava o que realmente era interessante de se conhecer, como no encontro com Jorge Amado, quando a autora vai direto ao ponto perguntando por inspiração, produção literária e riqueza obtida por escrever livros. E com Vinicius de Moraes, que provoca Clarice a perguntar sobre o amor, cinema e música.
Clarice Lispector começou a trabalhar como jornalista em 1940,
na Agência Nacional, e publicou as primeiras reportagens e entrevistas
na revista Vamos Ler e no jornal A Noite. Enquanto as notícias
sobre a Segunda Guerra Mundial predominavam nas manchetes dos jornais,
ela contribuía ocasionalmente com entrevistas com embaixadores,
intelectuais ou políticos importantes. No fim dos anos sessenta,
já escritora e cronista conhecida, Clarice foi convidada a fazer
entrevistas e aceitou, para complementar seu orçamento doméstico.
Entre maio de 1968 e outubro de 1969, enquanto escrevia o romance Uma
Aprendizagem ou o Livro dos Prazeres; e o livro infantil A
Mulher que Matou os Peixes. Ao mesmo tempo que compunha também
crônicas para o Jornal do Brasil, Clarice publicou regularmente
na Revista Manchete, na seção Diálogos
Possíveis com Clarice Lispector. Enquanto os estudantes
se revoltavam em Paris e na Europa do Leste; enquanto a Apolo 11 chegava
à Lua, enquanto a guerra assolava o Vietnã; enquanto a repressão
militar no Brasil aumentava, ela fazia aos seus entrevistados perguntas
sobre a economia brasileira, os direitos autorais, as manifestações
dos estudantes, o planejamento urbano, a pílula anticoncepcional,
e os perigos radioativos
Com muita freqüência, ela fazia
perguntas mais abstratas, profundas, filosóficas, estranhas: Qual
é a coisa mais importante do mundo? ,Qual é
a coisa mais importante para uma pessoa como indivíduo?
e O que é o amor? eram as favoritas. |